Enquanto não superarmos a ânsia do amor sem limites
não podemos crescer emocionalmente.
Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão
continuaremos a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes,
é necessário ser um.
Fernando Pessoa
4.7.09
29.6.09
Por que o bacharelado em Jornalismo ainda é imprescindível para a sociedade?
* Ismar Capistrano C. Filho
O julgamento do Supremo Tribunal Federal sobre o Recurso Extraordinário 511961, na quarta, 17 de junho de 2009, mostrou-se completamente equivocado não só em sua sentença, mas nos argumentos tanto dos defensores quanto dos opositores à exigência legal do diploma de bacharelado para o exercício do Jornalismo.

O que caracteriza como perícia da atividade jornalística não é tão somente a conduta moral, ética e honesta do relato verídico dos fatos. Não há curso superior que possa garantir essa qualidade que deve compor a idoneidade humana. Até os referenciais para tal julgamento são, em determinadas situações, confusos dado que pode haver diversas versões sobre uma realidade.
A missão do jornalismo é, sobretudo, reconstruir essa multiplicidade de significados, dando vozes para os diferentes atores sociais por meio de um constante processo de checagem dos fatos. Todavia, não se pode aceitar que essa dificuldade justifique a produção de notícias baseadas numa supra-realidade que, muitas vezes, atende a exclusos interesses políticos, econômicos e culturais dos grupos controladores dos meios de comunicação. Mas infelizmente, essa situação é fato e, na maioria das vezes, os jornalistas pouco podem fazer contra essa circunstância porque, mesmo sendo um serviço imprescindível para a vida democrática, a produção jornalística está predominantemente submetida à lógica empresarial das indústrias culturais.
Duas éticas se confrontam nas redações: de lado, o interesse público, defendido pelos jornalistas, e de outro o particular dos empresários, comprometidos com a gestão, a sustentabilidade, a audiência e o lucro do negócio. Nesse contexto, restam três saídas para a ética jornalística: as brechas, as fissuras e os embates. As primeiras são as notícias que não estão submetidas aos interesses editoriais das instituições, permitindo uma autonomia de atuação para esses profissionais. Já as fissuras são os espaços não vigiados que possibilitam a subversão da política editorial. No embate, a ética dos jornalistas possui um trunfo: a credibilidade de reconstruir a diversidade equânime do real é, sem dúvida, o maior patrimônio de qualquer instituição jornalística. Publicar notícias que distorcem voluntariamente à realidade em benefício do jogo de interesses pode comprometer o principal capital cultural dessas empresas, mesmo sendo, em muitos casos, sua principal rentabilidade. Assim, o jornalista deve posicionar-se constantemente de maneira crítica nas redações, questionando, resistindo e negociando a reconstrução da realidade apresentada por esses veículos. Sua ética torna-se uma postura de constante confronto. Jornalista conformado e acomodado em veículos comerciais é indício de subserviência à ética empresarial.
Desta maneira, a perícia principal do jornalismo é a seleção dos fatos atuais de relevância pública para a difusão coletiva. Para isso, o profissional precisa de uma profunda formação humanística baseada na compreensão do que seja o público, o convívio social, a diversidade cultural e as relações democráticas. O jornalista atua como fomentador do debate público, essencial para as decisões partilhadas. Além dessa formação ampla, o jornalista necessita também de uma capacitação técnica específica para produzir notícias adequadas às características dos veículos e dos receptores. Deve buscar superar a defasagem entre a transmissão e a recepção, através de iniciativas colaborativas e participativas na produção noticiosa. Por isso, o bacharelado é um curso imprescindível para a formação dos jornalistas dado que é a única graduação que permite um conhecimento, ao mesmo tempo, amplo e focado sobre um campo.
Lamentavelmente, nada disso foi discutido no Supremo. Os votos e argumentos da defesa e acusação, em nada, abordaram a missão pública do jornalismo, suas dificuldades, sua ética, sua perícia e sua técnica. Limitaram-se a discussões sobre a livre iniciativa de mercado para o exercício das profissões, a liberdade de expressão como um direito de foro íntimo (e não público) e à moralidade particular do testemunho da realidade. A regulamentação do jornalismo passa agora mais do que nunca para o âmbito das lutas sociais pela democratização da comunicação.
* Professor universitário dos cursos de Jornalismo da UFC, Fa7 e Fanor. Jornalista e assessor de comunicação.
O julgamento do Supremo Tribunal Federal sobre o Recurso Extraordinário 511961, na quarta, 17 de junho de 2009, mostrou-se completamente equivocado não só em sua sentença, mas nos argumentos tanto dos defensores quanto dos opositores à exigência legal do diploma de bacharelado para o exercício do Jornalismo.
O que caracteriza como perícia da atividade jornalística não é tão somente a conduta moral, ética e honesta do relato verídico dos fatos. Não há curso superior que possa garantir essa qualidade que deve compor a idoneidade humana. Até os referenciais para tal julgamento são, em determinadas situações, confusos dado que pode haver diversas versões sobre uma realidade.
A missão do jornalismo é, sobretudo, reconstruir essa multiplicidade de significados, dando vozes para os diferentes atores sociais por meio de um constante processo de checagem dos fatos. Todavia, não se pode aceitar que essa dificuldade justifique a produção de notícias baseadas numa supra-realidade que, muitas vezes, atende a exclusos interesses políticos, econômicos e culturais dos grupos controladores dos meios de comunicação. Mas infelizmente, essa situação é fato e, na maioria das vezes, os jornalistas pouco podem fazer contra essa circunstância porque, mesmo sendo um serviço imprescindível para a vida democrática, a produção jornalística está predominantemente submetida à lógica empresarial das indústrias culturais.
Duas éticas se confrontam nas redações: de lado, o interesse público, defendido pelos jornalistas, e de outro o particular dos empresários, comprometidos com a gestão, a sustentabilidade, a audiência e o lucro do negócio. Nesse contexto, restam três saídas para a ética jornalística: as brechas, as fissuras e os embates. As primeiras são as notícias que não estão submetidas aos interesses editoriais das instituições, permitindo uma autonomia de atuação para esses profissionais. Já as fissuras são os espaços não vigiados que possibilitam a subversão da política editorial. No embate, a ética dos jornalistas possui um trunfo: a credibilidade de reconstruir a diversidade equânime do real é, sem dúvida, o maior patrimônio de qualquer instituição jornalística. Publicar notícias que distorcem voluntariamente à realidade em benefício do jogo de interesses pode comprometer o principal capital cultural dessas empresas, mesmo sendo, em muitos casos, sua principal rentabilidade. Assim, o jornalista deve posicionar-se constantemente de maneira crítica nas redações, questionando, resistindo e negociando a reconstrução da realidade apresentada por esses veículos. Sua ética torna-se uma postura de constante confronto. Jornalista conformado e acomodado em veículos comerciais é indício de subserviência à ética empresarial.
Desta maneira, a perícia principal do jornalismo é a seleção dos fatos atuais de relevância pública para a difusão coletiva. Para isso, o profissional precisa de uma profunda formação humanística baseada na compreensão do que seja o público, o convívio social, a diversidade cultural e as relações democráticas. O jornalista atua como fomentador do debate público, essencial para as decisões partilhadas. Além dessa formação ampla, o jornalista necessita também de uma capacitação técnica específica para produzir notícias adequadas às características dos veículos e dos receptores. Deve buscar superar a defasagem entre a transmissão e a recepção, através de iniciativas colaborativas e participativas na produção noticiosa. Por isso, o bacharelado é um curso imprescindível para a formação dos jornalistas dado que é a única graduação que permite um conhecimento, ao mesmo tempo, amplo e focado sobre um campo.
Lamentavelmente, nada disso foi discutido no Supremo. Os votos e argumentos da defesa e acusação, em nada, abordaram a missão pública do jornalismo, suas dificuldades, sua ética, sua perícia e sua técnica. Limitaram-se a discussões sobre a livre iniciativa de mercado para o exercício das profissões, a liberdade de expressão como um direito de foro íntimo (e não público) e à moralidade particular do testemunho da realidade. A regulamentação do jornalismo passa agora mais do que nunca para o âmbito das lutas sociais pela democratização da comunicação.
* Professor universitário dos cursos de Jornalismo da UFC, Fa7 e Fanor. Jornalista e assessor de comunicação.
FONTE: FENAJ
28.6.09
OS BONS MORREM CEDO...
Elis, Renato Russo, Cazuza, Maysa, Cassia Eller, Elvis, Lennon, Kurt Cobain, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison... ufa! A lista é extensa...
E agora, Michael, o superastro da música Pop.
O furor que a notícia causou entre fãs e não-fãs, me fez lembrar quantos “bons” tiveram a carreira encerrada por tragédias.
Então analiso se foi a morte precoce que os tornou tão importantes.
Por uma série de fatores, quem morre no auge da carreira torna imortais seus sucessos e isso pode estar relacionado à tragédia. É natural nos reconhecermos no sofrimento do outro, ainda mais quando é um ídolo!
Cazuza me emociona até hoje! Alguém pode não se sensibilizar ao ouvir “Quase um Segundo”?
E “Vento no Litoral” de Renato Russo?
Não me importa se foi um artista excêntrico, drogado, heterossexual, homossexual ou pervertido. Foi um artista genial porque consegue emocionar como já não se vê mais hoje em dia!
Ou serão os “Tempos Modernos” que estão tornando as composições mais descartáveis e nem nos dão tempo de raciocinar e gostar? Isso não teria nada a ver com morrer cedo...
Bem, vamos pensar então em alguns cantores e compositores que estão batalhando na estrada pra se manter: Erasmo Carlos, por onde andam os Engenheiros do Hawai? Lobão?
Quem não morreu, nem se rendeu aos apelos da mídia está penando sim, no inferno dos homens, pra disputar o mercado da música.
Li sobre algumas teorias da conspiração. Algumas afirmam que cantores famosos teriam simulado sua própria morte para fugir da pressão, do sucesso ou do pós-sucesso. É o que poderia ter acontecido com Elvis, por exemplo. E agora com Michael.
Acho que o mistério faz parte do espetáculo. Porque tem toda aquela estrutura de gente que depende do artista mesmo depois que ele morre. E quando ele morre fatura muito mais do que se estivesse amargando o fracasso.
Michael por exemplo teria uma série de shows em Londres mês que vem para dar um “up” na carreira. Tinha dívidas... Estava com a saúde debilitada. Será que daria conta do recado? Analisando friamente a saída dele de cena foi, de certa forma, estratégica.
Agora vêm por aí coletâneas, filmes, DVDs, livros, etc, etc, etc
E sabe-se lá por quanto tempo ele vai continuar vendendo, como acontece com os Beatles, por exemplo.
De qualquer forma, não podemos tirar destes astros o mérito de ter contribuído para nos provocar algum tipo de emoção, nem que seja o estranhamento.
É essa emoção que nos lembra o tempo todo que estamos vivos, bem vivos!
E agora, Michael, o superastro da música Pop.
O furor que a notícia causou entre fãs e não-fãs, me fez lembrar quantos “bons” tiveram a carreira encerrada por tragédias.
Então analiso se foi a morte precoce que os tornou tão importantes.
Por uma série de fatores, quem morre no auge da carreira torna imortais seus sucessos e isso pode estar relacionado à tragédia. É natural nos reconhecermos no sofrimento do outro, ainda mais quando é um ídolo!
Cazuza me emociona até hoje! Alguém pode não se sensibilizar ao ouvir “Quase um Segundo”?
E “Vento no Litoral” de Renato Russo?
Não me importa se foi um artista excêntrico, drogado, heterossexual, homossexual ou pervertido. Foi um artista genial porque consegue emocionar como já não se vê mais hoje em dia!
Ou serão os “Tempos Modernos” que estão tornando as composições mais descartáveis e nem nos dão tempo de raciocinar e gostar? Isso não teria nada a ver com morrer cedo...
Bem, vamos pensar então em alguns cantores e compositores que estão batalhando na estrada pra se manter: Erasmo Carlos, por onde andam os Engenheiros do Hawai? Lobão?
Quem não morreu, nem se rendeu aos apelos da mídia está penando sim, no inferno dos homens, pra disputar o mercado da música.
Li sobre algumas teorias da conspiração. Algumas afirmam que cantores famosos teriam simulado sua própria morte para fugir da pressão, do sucesso ou do pós-sucesso. É o que poderia ter acontecido com Elvis, por exemplo. E agora com Michael.
Acho que o mistério faz parte do espetáculo. Porque tem toda aquela estrutura de gente que depende do artista mesmo depois que ele morre. E quando ele morre fatura muito mais do que se estivesse amargando o fracasso.
Michael por exemplo teria uma série de shows em Londres mês que vem para dar um “up” na carreira. Tinha dívidas... Estava com a saúde debilitada. Será que daria conta do recado? Analisando friamente a saída dele de cena foi, de certa forma, estratégica.
Agora vêm por aí coletâneas, filmes, DVDs, livros, etc, etc, etc
E sabe-se lá por quanto tempo ele vai continuar vendendo, como acontece com os Beatles, por exemplo.
De qualquer forma, não podemos tirar destes astros o mérito de ter contribuído para nos provocar algum tipo de emoção, nem que seja o estranhamento.
É essa emoção que nos lembra o tempo todo que estamos vivos, bem vivos!
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Quem sou eu
- Marilena Chociai
- Pato Branco , Paraná, Brazil
- Jornalista da Rádio e Tv Educativa do Paraná - TV Paraná Turismo. Mestra em Comunicação - Produção Audiovisual pela Universidad Europea del Atlántico. Pós graduada em Produção de Documentário pela EICTV - Escola Internacional de Cinema e TV de Cuba. Pós-graduada em Telejornalismo pela FAG. Graduada em Comunicação Social, Jornalismo, pela Fadep. Funcionária da TV Sudoeste - Rede Celinauta de Comunicação entre os anos de 1992 e 2018.