27.9.09




"Eu quero a concentração e o romance, e todos os mundos juntinhos, fundidos, brilhantes: não tenho mais tempo para perder com prosa."

[ Virginia Woolf ]

26.9.09

CUIDADO, RANCOR MATA!!!

Outro dia li uma crônica fantástica no Diário do Sudoeste, do escritor patobranquense Vitor Hugo Ribeiro. No texto ele deixava bem claro a importância de não odiar.
Esta frase nunca mais saiu da minha cabeça depois daquele dia: “é bem mais fácil gostar das coisas do que não gostar”. Por exemplo, quando você vai à uma festa onde só toca música sertaneja (e isso foi direto pra mim que não gosto), quem sofre? Você que não gosta ou quem está se divertindo?
Quem está com raiva porque não gosta?
Quem está se remoendo?
E quando tem aquela reunião de parentes que você não suporta. Todos conversam , trocam energias e quem está sofrento?????
Pensando bem, Vitor Hugo Ribeiro tinha toda a razão. Achei tão importante que decidi plagiar a ideia aqui no meu blog, com todo respeito.
E digo mais: quando você odeia uma pessoa por qualquer motivo, quem sofre? Quem é que passa a viver em função de uma vingança ou algo parecido?
Quem deixa de fazer coisas produtivas por causa de uma mágoa?
A vida do seu ódiado continua meu bem! E muitas vezes bem melhor do que a sua!
Há algumas linhas de pesquisa que associam o desenvolvimento de câncer a pessoas que acumulam mágoas, rancores, frustrações ao longo da vida...
Então já temos um bom motivo pra começar a tentar gostar de coisas que odiamos.
Eu estou tentando. Sexta-feira até dancei sertanejo com meus amigos de Cascavel! E gostei!!!!
Recomendo que pelo menos a gente tente, não custa nada, né?
É bom derrubar preconceitos... ah se é!!!!

22.9.09

Jornalismo e marketing

Nesta semana de conflitos pessoais e profissionais, resolvi escrever um pouco sobre a autonomia de jornalistas nas suas reportagens.
E para chegar próximo, começo falando sobre marketing e suas ferramentas (implícitas ou não) na produção jornalística.
Quando falamos em Marketing é natural que o associemos a estratégias comerciais de uma empresa, que também existem nas nas empresas de comunicação.
Philip Kotler, no livro Administração de Marketing, define Marketing como “Um processo social por meio do qual pessoas e grupos de pessoas obtêm aquilo de que necessitam e o que desejam com a criação, oferta e livre negociação de produtos e serviços de valor com outros.”
A partir desta definição percebemos que fazer marketing não é apenas vender um produto. Existe uma série de ferramentas que podem nos levar a oferecer exatamente o que nosso público quer, ou então despertar nele a necessidade pelo que oferecemos.
Um dos grandes teóricos da Administração, Peter Drucker, explica que a meta do Marketing “(...) é conhecer e compreender tão bem o cliente que o produto ou serviço se adapte a ele e se venda por si só.” É como dizer que vendas são apenas um dos segmentos do Marketing. Primeiro é preciso estudar o cliente, no caso do jornalismo, o leitor, o ouvinte ou o telespectador. Saber o que o nosso “público alvo” quer, do que ele precisa, que tipo de informação vai satisfazê-lo.
Nas redações, as ferramentas do Marketing começam a ser usadas já na elaboração de pautas, quando são selecionadas notícias de interesse coletivo ou que possam satisfazer determinado público segmentado ou regionalizado.
É essa pesquisa de perfil que vai levar à criação de identidade entre público e veículo de comunicação. Identificação considerada tão importante que empresas de comunicação de abrangência nacional investem na criação e fortalecimento de sucursais para que estas, através do jornalismo local, abram mercado e novas possibilidades comerciais.
No processo de elaboração de notícias, o marketing também aparece na forma como construímos o texto, na escolha das fontes de informação, na objetividade, enfim, em todas as estratégias que tenham como objetivo atrair e conquistar o público.
Mas aí mora um grande desafio: até onde exatamente estas estratégias interferem na ética da produção jornalística?
O pesquisador Paulo Rodolfo de Lima, no seu Manual de Telejornalismo, diz que “Se a finalidade da empresa é geral lucro, a notícia corre o ricos de tornar-se uma mercadoria qualquer.”
É bem provável que, como eu, grande parte dos jornalistas viva diariamente estes conflitos entre o jornalismo que idealizamos e a linha editorial ou estratégias comerciais da empresa.
Algum de vocês já descobriu a fórmula para lidar com isso?
Eu estou tentando...

20.9.09

Ainda sobre o domingo...

Enviado pelo amigo Fernando Parracho em resposta ao meu domingo entediado...

domingo é um dia de luta
de doer e de curar
de perder e recuperar
momento de ler,
de escrever (e não rasgar o poema)
dia para a busca mais intensa de si mesmo
autoprocura eterna
caminho sem volta
dupla do eu comigo (e só)
domingo serve para almoçar
e fazer a digestão que a semana não permite
dia de cochilos históricos
dia em que a saudade parece doer mais
domingo passa devagar quando se está triste
voa, quando a felicidade aparece
um domingo se tece cada um a seu modo
com agulhas e linhas que houver
até chegar a noite
que aos domingos parece perdida
mas quando está distraída
se converte em partida,
recomeço
nova vida

O que esperar de uma tarde de domingo?

“Todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite...”
Certamente você já ouviu esta música em alguma oportunidade e concordou totalmente com ela.
Adoro os sábados. Sempre há o que fazer. Nem que seja passar o dia todo no salão em função de se arrumar pro evento que você vai à noite.
Mas o domingo é difícil...
Depois do almoço com a família, que eu adoro, não há muito o que fazer.
Eu que não tenho namorado, tiro o dia pra ler, estudar, ver filme em casa, atualizar meu blog... Mas chega uma hora que já não me basto tanto assim.
Pior é quando você passa o domingo remoendo o que deu errado no sábado à noite!
A festa que estava uma droga, a paquera que não rolou...
Vamos tentar ver o lado bom.
Domingo é bom pra ir à festas do interior! Comer o churrasco com o pessoal, ficar pro bailinho à tarde. Sempre é muito divertido.
É dia de ir à missa. Renovar a fé, alimentar o espírito, pedir perdão pelos pecados que a gente quase nunca admite ter.
Ah, também é no domingo que começamos a planejar a semana, que na real se inicia mesmo é na segunda-feira. E cá entre nós, minha segunda-feira não vai ser fraca.
Bem, vou parar por aqui... Minha tarde de domingo está num tédio tamanho que nem pra escrever estou prestando.
Vou ver se vão passar algum filme no Teatro Municipal.

16.9.09

Meu dom de entender

Meu dom não é ser imparcial, isto é treino.
Meu dom não é ser natural, isto é preparo.
Meu dom não é ser ética, isto vem de berço.
Meu dom não é ser coerente, isto é estudo!
Uma vez uma pessoa em quem me espelho muito me disse: “quem não tem boa formação, não tem noção de limites. Fala o que quer, não ouve, julga, condena.”
Percebo que esta ausência de valores sempre vem à tona em situações extremas: de muita felicidade, de ambição, de grandes perdas, de ameaças, de impotência...
E basta nos policiarmos um pouco pra perceber o quanto nos achamos no direito de julgar o próximo. Condenar o suspeito, linchar o acusado...
Nesta semana vivi momentos de extrema tensão, dor e impotência.
Também vivi a angústia de ser julgada sem direito de defesa, num momento onde tudo o que eu queria era servir.
Mas tento entender que as pessoas são como são, carregam cargas emocionais de toda uma vida e nem sempre estas emoções foram benéficas.
De alguma maneira precisam constantemente jogar suas frustrações para o mundo, projetar no outro tudo aquilo de ruim que acumularam numa vida inteira.
Com minha profissão aprendi a sempre ver os dois lados mesmo em situações da vida pessoal.
Isso algumas vezes inclui aceitar as coisas como são e até tirar o time de campo se for necessário.
Deus me deu o dom da serenidade, de não perder a razão nestes momentos.
Também me deu o dom de amar, amar tanto a ponto de abrir mão pelo outro.
Sei que lá no final as coisas se ajeitam, que o tempo sempre resolve.
Que Deus mostra o caminho e nos dá discernimento quando temos fé e sabemos esperar.
Por isso meu choro não é mais de tristeza nem de decepção.
Choro apenas pela ausência e sei que isso logo vai passar.
E apesar de tudo sigo feliz, com a alma imensa e o coração aberto.

foto: Marilena Chociai

15.9.09

Neste momento em que a saudade dói demais...

...metade...

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste,
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também!

(Oswaldo Montenegro)
http://www.youtube.com/watch?v=ujQoUEdXr_8&feature=player_embedded#t=64

12.9.09

Quase primavera!

Minhas viagens por este mundão sempre me reservam gratas surpresas. Uma delas foi esta imagem maravilhosa que encontrei indo a Cascavel neste final de semana.
Não resisti à tentação de parar e fotografar.
A situação foi no mínimo engraçada: estava garoando, a terra úmida... e eu toda arrumada, de salto alto no meio da lavoura de trigo fotografando, rs.
(detalhe: o asfalto fica no lado de trás da árvore)
Por uma imagem desta eu faria tudo novamente!

9.9.09

UMA ANALOGIA DA INFORMAÇÃO

Assim como textos históricos aos quais temos acesso na atualidade foram construídos através de uma série de fatores que influenciaram a percepção do historiador, atualmente o fazer jornalístico também recebe interferências no seu processo produtivo que resultam em diferentes pontos de vista para um mesmo fato.
Veículos de comunicação têm linhas editoriais e ideológicas diferentes. Enquanto uns optam pelo sensacionalismo, outros tentam se aproximar da neutralidade pregada pelos manuais de redação e estilo.
No entanto, independentemente da linha editorial, o processo de construção da notícia passa por diversas etapas. Envolve equipes de pessoas com culturas diferentes e maneiras distintas de assimilar e interpretar os fatos, além das condições técnicas de produção.
No telejornalismo, a interferência na construção da notícia vai desde os ângulos escolhidos pelo cinegrafista na captação das imagens, passa pelo ponto de vista do repórter que colheu informações e decidiu quais sonoras seriam relevantes. Depois, pelo editor de imagens, até o editor-chefe que vai direcionar este conteúdo para determinado horário de telejornal ou público, muitas vezes influenciado pelas suas próprias percepções.
Por isso é comum vermos na tevê um fato noticiado em vts de tempos diferentes e com enfoques distintos.
Não podemos deixar de citar ainda que independentemente de como o fato é transcrito ou reportado, a maneira como o leitor ou o telespectador receberá esta informação também será influenciada pela sua carga cultural, emocional ou pelo seu contexto atual.
A forma como interpretamos e assimilamos um texto histórico, por exemplo, está diretamente relacionada ao conhecimento que temos sobre elementos que o compõem.
Por isso, a cada vez que relemos um texto descobrimos novas interpretações.

Baseado em texto de Benedito Costa Neto

Imagens de uma "quase-primavera"




Algumas imagens que fiz nestas andanças por lugares onde a natureza mostra seu poder, sem modéstia.











5.9.09

IMPASSES DA CRIAÇÃO


Nas últimas semanas tenho vivido uma espécie de bloqueio criativo. Quem acompanha meu blog deve ter percebido que ando relaxada nas atualizações.
É uma espécie de crise mesmo. Normalmente não consigo escrever, os "insites" não vêm como antes...
E quando escrevo, não gosto de nada.
Então hoje recebi um texto maravilhoso de Cássia Fragata sobre o tema, publicado na edição deste mês da revista da cultura: (http://www2.livrariacultura.com.br/culturanews/rc26/index2.asp?page=capa).

Achei interessantíssimo e como sei que muitos de vocês são um pouco artistas como eu, resolvi postar um fragmento dele.

IMPASSES DA CRIAÇÃO

Como disse Bernard Shaw, “a ansiedade e o medo envenenam o corpo e o espírito”. Se não se respeita o tempo da criação, a ansiedade pode acabar com ela.
Noites mal-dormidas, culpa e desespero se fazem presentes e aí a coisa desanda, paralisa. É a crise de criatividade gerada pelo próprio processo de criação. “Antigamente, eu ficava muito ansioso, muito preocupado, ficava tentando ver o que ia fazer, até o momento que falei: ‘relaxa’”, diz Ignácio de Loyola. “Enquanto você fica ansioso, acaba não encontrando solução nenhuma, ou encontrando soluções ruins ou ainda ficando cada vez mais bloqueado.”
Para o escritor, a falta de solução para o problema de um texto, roteiro ou letra de música prende e paralisa. “A ansiedade, às vezes, é criativa, mas não nesse caso.” Loyola lembra de Federico Fellini: “A coisa mais genial que conheço sobre uma crise se chama 8 e 1/2, do Fellini, é um diretor que não consegue átudo pronto e o filme não sai”.
Marcelino Freire precisa de paz para criar. “Não consigo criar se estou encurralado, triste demais, cabisbaixo... Fico pensando na crise, envolvido por ela, e não faço nadica de nada.” Opinião compartilhada por Jean Garfunkel. “A crise está ligada ao momento histórico do criador, de baixa ou alta autoestima, e o seu grau de expectativa de desempenho diante do desafio criativo proposto”, explica o compositor. “O processo criativo envolve um risco. O cara tem que se sentir confiante pra poder brincar, experimentar e errar sem medo do ridículo.”Nesse sentido, Calligaris ilustra com Freud. “Ele dizia que toda inibição, de qualquer tipo, é produzida por um excesso de erotização, ou seja, quanto mais a gente investe, digamos assim, energia, desejo em alguma coisa, tanto mais é fácil encontrar uma inibição.” E exemplifica: “Quando você acha um encontro importantíssimo, decisivo e pensa naquilo todos os dias, é muito provável que, primeiro, você se atrase, segundo, uma vez sentado à mesa, consiga derrubar um copo de vinho na pessoa com quem você está, e tudo vai acontecer exatamente porque você erotizou demais, investiu totalmente naquilo e isso acontece na criação sob forma de inibição criativa, de crise”, conclui o psiquiatra.


fonte: Livraria Cultura

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